Brasília (DF) – A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou no último dia 9, o Projeto de Lei 85/25, que garante atendimento prioritário e integral, no Sistema Único de Saúde (SUS), para mulheres com endometriose. O texto recebeu parecer favorável da relatora, deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), e assegura acesso gratuito a exames, medicamentos, tratamentos e acompanhamento médico especializado, marcando um avanço no enfrentamento a uma das doenças ginecológicas crônicas mais debilitantes entre as brasileiras.

A proposta prevê que o SUS ofereça atendimento urgente e qualificado às pacientes, com prioridade no acesso a profissionais especializados em ginecologia. Estão contemplados exames como ultrassonografias transvaginais e pélvicas, ressonância magnética pélvica, exames laboratoriais hormonais e laparoscopias — fundamentais para o diagnóstico e tratamento da endometriose. “Considerando as consequências provocadas pela endometriose para a vida das mulheres, precisamos engajar o Sistema Único de Saúde, em parceria com as secretarias estaduais e municipais, na realização de medidas de enfrentamento do problema”, afirmou a republicana.

Texto e campanhas educativas

O texto foi aprovado em forma de substitutivo, unificando e aprimorando o original, Projeto de Lei 762/2025, sendo apensado à proposta. Entre as novidades do substitutivo está a criação de campanhas permanentes de conscientização, promovidas pelo Ministério da Saúde, em conjunto com estados e municípios.

Essas ações devem abordar os sinais e sintomas da endometriose, seus impactos na saúde e os direitos das mulheres acometidas, incluindo o direito ao afastamento do trabalho, nos casos em que a condição interfere na vida laboral.

A relatora retirou alguns pontos previstos na versão original, como a obrigatoriedade da criação de unidades especializadas em endometriose e a inclusão da doença entre as prioridades para fornecimento de medicamentos de alto custo via Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Próximos passos

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas Comissões de Saúde; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça. Para se tornar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado.

A iniciativa representa um avanço no reconhecimento da endometriose como um problema de saúde pública, que exige políticas públicas específicas, e reforça o trabalho por mais dignidade e qualidade de vida para milhares de mulheres em todo o país.

Saiba mais

A endometriose é caracterizada pelo crescimento do tecido endometrial fora do útero, o que pode causar dores intensas, fadiga crônica, infertilidade e impactos significativos na saúde física e mental das pacientes. Ainda assim, o diagnóstico precoce é um desafio enfrentado por muitas mulheres, frequentemente negligenciado por falta de informação e estrutura adequada.

Texto: Com informações da Agência Câmara de Notícias
Foto: Júlio Dutra